A TRAIÇÃO QUE NINGUÉM QUER ENXERGAR

A TRAIÇÃO QUE NINGUÉM QUER ENXERGAR


A malhação de Judas sempre foi mais do que tradição.

Sempre foi um recado claro.

Traição precisa ser reconhecida.

E precisa ser enfrentada.

Hoje, não há mais bonecos nas praças.

Mas há algo mais grave.

A normalização da traição.

Corrupção.

Privilégios.

Silêncios convenientes.

Narrativas que substituem a verdade.

Tudo isso, travestido de legalidade.


A sociedade sente.

A sociedade paga.

E muitas vezes, a sociedade se cala.


A pergunta é inevitável.

Até quando?



#Justiça

#SegurançaPública

#Corrupção

#Liberdade

#ProfessorTelmo



QUANDO A LEI PERDE O SENTIDO DE JUSTIÇA

QUANDO A LEI PERDE O SENTIDO DE JUSTIÇA 



A decisão envolvendo o ex-desembargador Rafael de Araújo Romano, do Tribunal de Justiça do Amazonas, expõe uma fratura grave entre legalidade e legitimidade.


Condenado a mais de 45 anos de prisão por estupro de vulnerável contra a própria neta, com sentença definitiva, iniciou o cumprimento da pena e, em menos de dez dias, teve deferida prisão domiciliar por razões humanitárias.


Segundo a investigação, os abusos ocorreram de 2009 a 2016, período em que a vítima ainda era criança e chegou aos 14 anos. O agressor não era um estranho. Era o avô paterno. Figura de confiança. Guardião natural.


O crime não foi episódico. Foi continuado. Silencioso. Dentro do ambiente familiar.


O caso só veio à tona em 2018, quando a vítima revelou os fatos à mãe.


Sim, a lei admite prisão domiciliar em situações excepcionais. Isso é fato.


Mas o que se vê, reiteradamente, é a prevalência de um ativismo garantista que, sob o manto da legalidade, flexibiliza a execução penal em favor de condenados, mesmo em crimes de extrema gravidade.


Cria-se uma lógica perversa.


A norma existe para proteger. Mas sua aplicação distorcida passa a proteger quem violou o bem jurídico mais sensível, a dignidade de uma criança.


Não se trata de negar direitos. Trata-se de reconhecer excessos.


Quando a exceção vira regra, o Direito deixa de ser equilíbrio e passa a ser instrumento de desconexão com a realidade social.


Menos de dez dias de cárcere para uma condenação superior a quatro décadas.


A resposta estatal foi breve no rigor e célere na flexibilização.


A mensagem à sociedade é devastadora.


A vítima cumpre uma pena perpétua. Psicológica. Invisível. Irreversível.


O condenado retorna ao lar.


Aqui falhou tudo.


Falhou a proteção da infância. Falhou o sistema de controle. Falhou a resposta penal. Falhou a sensibilidade institucional.


E, sobretudo, falhou a capacidade do Judiciário de compreender que justiça não é apenas aplicar a lei, é preservar sua credibilidade diante da sociedade.


A pergunta permanece:
Isso atende à lei. Mas atende à justiça?

Ex-desembargador Rafael de Araujo Romano vai para prisão domiciliar | G1