Entre a Narrativa e a Responsabilidade
Há mais narrativa do que prova. E isso preocupa.
O debate recente sobre a Polícia Militar de São Paulo foi lançado com gravidade máxima pelo Estadão e replicado por diversos canais, insinuando infiltração criminosa na elite da corporação. Tema sério demais para ser conduzido com fragmentos e suposições.
Aqui não é defesa por defesa. Fala a experiência de 38 anos de serviço ativo, que alcançou o último posto da carreira. Quem conhece a instituição sabe separar desvio individual de ataque generalizado.
E o ponto objetivo: Se havia gravações, delações e indícios concretos, a atuação do promotor de justiça deveria ser imediata e formal. No campo penal não existe informalidade, e ele bem sabe disso. Agora a pergunta é técnica: Por que não houve formalização no tempo devido?
Quatro anos não são detalhes. São o centro da controvérsia.
Também não há espaço para blindagem. Função de comando exige responsabilidade. Se houve omissão, se apura. Se não houve, demonstra.
Outro ponto: O Comandante Geral é nomeado pelo Chefe do Executivo, com indicação e anuência do Secretário de Segurança Pública. Não é escolha isolada. É decisão institucional, baseada em trajetória, filtros e confiança acumulada.
Sustentar que todo esse percurso ocorreu sem verificação exige prova robusta. Não basta narrativa.
Sim, é fato que o crime organizado existe e busca infiltração. Mas generalizar é erro grave. Enfraquece quem combate diariamente esse sistema.
A Polícia Militar é instituição de Estado, não de governo. Tem regulamento disciplinar rigoroso, controle interno e previsão de afastamento e apuração. Na caserna a moralidade é maior que a legalidade.
Se há irregularidade, apura.
Se há culpado, responsabiliza.
Sem antecipação de culpa.
E um ponto essencial: A imprensa precisa ouvir todos os lados, inclusive o sistema de segurança e o governo. Informação sem contraditório vira narrativa.
No fim é simples: Quem errou, responde.Quem acusou, prova.
Quem governa, garante apuração.
Sem espetáculo.
Lei, prova e responsabilidade.
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