Segurança Pública Não Vive de Anúncio, Vive de Execução
Dois anos após a fuga inédita da Penitenciária Federal de Mossoró, o balanço é constrangedor. As muralhas prometidas como resposta estrutural imediata ao episódio seguem, em sua maioria, no papel, paralisadas ou em estágio embrionário.
O que deveria ter sido tratado como prioridade absoluta acabou diluído no tempo burocrático, típico de governos que anunciam muito e entregam pouco quando o tema é segurança pública.
A fuga expôs falhas graves de concepção física e operacional do sistema penitenciário federal. A resposta institucional veio em forma de promessas, obras anunciadas, discursos técnicos e coletivas oficiais.
A execução, no entanto, não acompanhou a gravidade do fato. Apenas uma unidade teve a muralha concluída, Brasília. Nas demais, o cenário é de licitações fracassadas, contratos abandonados, prazos elásticos e ausência de comando claro. Segurança máxima não combina com improviso administrativo.
Esse quadro revela uma escolha política. Enquanto bilhões são destinados a emendas parlamentares e a carga tributária segue em expansão, investimentos estruturantes em segurança pública não recebem a mesma centralidade.
O discurso oficial insiste em tratar o tema como acessório, quando na prática ele é fundamento do próprio Estado. Sem controle efetivo do sistema prisional federal, todo o restante da política criminal se fragiliza.
A gestão do Ministério da Justiça no período não deixou legado concreto nessa área. O então ministro saiu de forma repentina, posteriormente envolvido em questionamentos éticos relacionados à advocacia administrativa, e o sistema permaneceu exatamente como estava após a crise. Nenhuma entrega robusta, nenhuma mudança estrutural perceptível, nenhuma política de longo prazo claramente implementada.
O problema não se resolve apenas com muralhas, mas sem elas o sistema já nasce vulnerável.
O caminho é conhecido, não exige invenção, exige decisão.
1. Obras físicas com cronograma público e fiscalização permanente;
2. Tecnologia integrada de vigilância, sensores, alarmes e monitoramento contínuo;
3. Reforço e valorização do efetivo penitenciário federal, com treinamento constante e protocolos rígidos;
4. Gestão profissional de contratos, com responsabilização objetiva de empresas que abandonam obras;
5. Planejamento orçamentário protegido de contingenciamentos políticos.
Segurança pública não comporta soluções simbólicas. Presídios federais existem para isolar lideranças criminosas e proteger a sociedade.
Quando o Estado falha nisso, a conta chega fora dos muros, nas ruas, nas polícias, nas vítimas.
Promessa não executada não é atraso administrativo, é omissão estatal.
O Brasil já sabe o que precisa ser feito. Falta apenas aquilo que sempre fez diferença na história da administração pública, prioridade real, comando firme e respeito ao básico.
Segurança não se governa por discurso, governa-se por obra entregue, muro erguido e sistema funcionando.
Fontes
G1, Dois anos após fuga em Mossoró, muralhas prometidas em presídios federais ainda não saíram do papel, jan 2026.
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