QUASE UM MILHÃO DE HOMICÍDIOS E A NARRATIVA DA SEGURANÇA PÚBLICA E TERRORISMO

Enquanto parte do debate nacional discute uma suposta ameaça à soberania brasileira, pouco se fala sobre a maior tragédia que atingiu o país nas últimas décadas.

Os números são brutais. Segundo dados do Atlas da Violência e do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), o Brasil registrou aproximadamente 950 mil homicídios entre 2003 e 2024. 

No período de 2003 a 2016, durante os governos do PT, foram contabilizados cerca de 760 mil homicídios.

Já entre 2019 e 2022, período não governado pelo PT, foram registrados aproximadamente 180 mil homicídios.

Em 2023 e 2024, com o retorno do PT ao governo, os registros continuaram somando dezenas de milhares de mortes violentas. 

Esses números revelam a persistência do problema ao longo dos anos, mas também permitem avaliar os resultados das políticas adotadas em cada período. 

Além disso, criticamos que os governos do PT têm demonstrado incapacidade de estruturar políticas públicas perenes de segurança, frequentemente se posicionando contra propostas de endurecimento penal e privilegiando uma abordagem baseada no garantismo penal, cuja efetividade no enfrentamento das organizações criminosas é objeto de intenso debate.

Considerando os dados apresentados, o Brasil acumulou aproximadamente 950 mil homicídios registrados entre 2003 e 2024. Desse total, cerca de 950 mil ocorreram durante os governos do Partido dos Trabalhadores entre 2003 e 2016 e nos anos de 2023 e 2024, enquanto o período de 2018 a 2022, sob governos não vinculados ao PT, também registrou dezenas de milhares de homicídios, evidenciando que o problema da violência letal ultrapassa governos e exige análise contínua das políticas públicas adotadas em cada período.

Não se trata de afirmar que um governo é o único responsável por cada morte.

Seria uma conclusão simplista e anticientífica.

Mas também é intelectualmente desonesto ignorar que um grupo político que governou o país por cerca de quinze anos precisa responder pelos resultados produzidos durante esse período.

O mais curioso é que muitos dos mesmos setores políticos, acadêmicos e midiáticos que hoje demonstram indignação com a classificação de facções criminosas como organizações terroristas raramente demonstram a mesma indignação diante de quase um milhão de vidas perdidas para a violência homicida.

Do ponto de vista das Ciências Policiais, a pergunta relevante não é apenas quem governou.

A pergunta é por que o Brasil continua convivendo com níveis de violência que, em determinados territórios, se aproximam de cenários observados em conflitos armados em Estados que estão em guerra.

Facções controlam comunidades.

Impõem normas paralelas.
Expulsam moradores.
Executam rivais.
Exploram economicamente territórios.
Desafiam o Estado.


Em muitas regiões, a população convive diariamente com restrições de liberdade impostas por grupos criminosos.

Isso não é uma discussão meramente semântica.

É uma discussão sobre capacidade estatal.

A verdadeira soberania não se mede apenas pela defesa das fronteiras nacionais.

Ela se mede pela capacidade do Estado de proteger seus cidadãos, controlar seu território e garantir o império da lei.

Quando organizações criminosas exercem poder paralelo sobre parcelas da sociedade, a soberania já está sendo desafiada há muito tempo.

Talvez esteja na hora de o país discutir menos narrativas e mais resultados.

Menos discursos ideológicos.

E mais políticas públicas efetivas de enfrentamento ao crime organizado, valorização das forças de segurança e fortalecimento das Ciências Policiais como instrumento de proteção da sociedade.


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