








O Contraste Histórico é Brutal
Os dados falam por si sós. Durante o governo Bolsonaro, no pico da maior pandemia do século, os Correios tiveram seu melhor desempenho histórico:
Em 2020, lucro de R$ 1,53 bilhão — o maior em dez anos. Em 2021, lucro de R$ 2,3 bilhões — o melhor resultado da estatal na história.
O EBITDA de 2021 chegou a R$ 3,1 bilhões os melhores índices registrados nos últimos 22 anos.
Isso enquanto o mundo parava. Enquanto havia lockdowns. Enquanto a economia global estava em colapso.
A sequência a partir da troca de governo é a inversão total desse quadro:
2022: prejuízo de R$ 767 milhões. 2023: prejuízo de R$ 597 milhões. 2024: prejuízo que quadruplicou, chegando a R$ 2,6 bilhões.
E o pior ainda estava por vir.
Em 2025, os Correios registraram prejuízo de R$ 8,5 bilhões — o quarto resultado negativo seguido, mais que o triplo do prejuízo de 2024.
O patrimônio líquido da estatal encerrou 2025 em R$ 13,1 bilhões negativos.
A Dívida que Cresce Sem Parar
Nos primeiros nove meses de 2025, os Correios tinham entradas de R$ 16,94 bilhões, mas obrigações de R$ 20,65 bilhões. A dívida acumulada com fornecedores, fundo de pensão e tributos federais chegou a R$ 3,7 bilhões.
A situação se tornou tão grave que a empresa precisou buscar um aporte emergencial de R$ 12 bilhões em empréstimos de bancos públicos e privados, com garantia da União.
Ou seja: o contribuinte brasileiro está garantindo a conta.
Desde o último trimestre de 2022, os Correios acumulam 14 trimestres consecutivos de resultados negativos.
As Desculpas do Governo
O governo Lula e a diretoria dos Correios apresentaram duas justificativas principais:
1) “A culpa é da taxa das blusinhas”
A implementação da taxação de compras internacionais acima de US$ 50 fez o total de compras internacionais recuar 11% em 2024, impactando a receita da estatal. O que é uma ironia: foi o próprio governo que criou a taxa, alegando proteger a indústria nacional e o tiro saiu pela culatra nos Correios.
2) “A culpa é do governo anterior”
O presidente dos Correios afirmou que “a empresa estava para ser privatizada, foi colocada na bacia das almas, e isso traz efeitos que são importantes na empresa.”
Argumento que se sustenta mal diante dos lucros bilionários de 2020 e 2021 — justamente durante o período em que a privatização estava sendo debatida.
O Paradoxo Inaceitável
A empresa registrou o maior déficit entre todas as estatais federais em 2024, respondendo por metade de todo o déficit do conjunto das estatais — excluindo gigantes como Petrobras e Banco do Brasil.
E isso em um setor onde empresas privadas — Mercado Livre, Amazon, Shein, Shopee operam no Brasil com lucro, expandem suas operações logísticas e conquistam fatias crescentes do mercado.
A questão central é estrutural: enquanto concorrentes privados se adaptam ao mercado, os Correios se adaptam ao calendário político trocando presidentes por indicação partidária, revertendo medidas de enxugamento, recontratando benefícios que haviam sido suprimidos.
O Que Está em Jogo?
A expectativa oficial é que os Correios ainda registrem prejuízo expressivo em 2026, com uma possível reversão apenas a partir de 2027.
Enquanto isso, o presidente da estatal descarta a possibilidade de privatização: “Privatização ou não é uma decisão do controlador.
O que a gente quer é que a empresa permaneça íntegra, viável.”