Hoje o Brasil amanheceu diante de mais um capítulo do chamado Caso Master.
A Polícia Federal deflagrou a 9ª fase da Operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Entre os alvos está o senador Jaques Wagner, líder do governo Lula no Senado. (Poder360)
Segundo as informações divulgadas nesta quinta feira, a Polícia Federal apreendeu em endereços ligados ao senador cerca de 55 mil dólares e 33 mil euros em espécie.
Somente em um flat utilizado pelo parlamentar em Brasília foram encontrados aproximadamente 49 mil dólares, além de relógios de luxo e outros bens que passaram a integrar o material apreendido para análise dos investigadores. (Gazeta do Povo)
As investigações também mencionam suspeitas relacionadas a um apartamento avaliado em aproximadamente R$ 2,45 milhões em Salvador, uso de aeronaves privadas, ingressos para eventos internacionais e repasses que teriam alcançado cerca de R$ 3,5 milhões para empresa ligada ao núcleo familiar do senador. Tudo isso ainda será objeto de apuração e julgamento. (Congresso em Foco)
E aqui é importante fazer uma distinção.
No campo penal, vale a presunção de inocência.
Ninguém pode ser considerado culpado antes da conclusão das investigações, do processo judicial e de uma sentença definitiva.
Mas existe outro princípio constitucional que parece cada vez mais esquecido no Brasil.
O princípio da moralidade administrativa.
A discussão não é se Jaques Wagner é culpado ou inocente.
A discussão é se um líder do governo, alvo de uma operação dessa magnitude, deveria permanecer exercendo uma das funções políticas mais relevantes da República enquanto os fatos são esclarecidos.
Em democracias maduras, muitas vezes o afastamento político ocorre para preservar a credibilidade das instituições, e não porque exista uma condenação.
É exatamente por isso que a postura do Presidente da República também entra no debate.
Quando surgem fatos dessa gravidade envolvendo um dos principais líderes do governo, espera-se uma resposta firme em defesa da moralidade pública.
Espera-se transparência.
Espera-se explicação.
Espera-se exemplo.
O que não se espera é silêncio, relativização ou a tentativa de deslocar o foco da discussão.
Outro aspecto que chama atenção é que o Caso Master já produziu notícias envolvendo relações e contatos que alcançam diversos setores do poder, incluindo integrantes do sistema de justiça, autoridades da República e agentes públicos de alto escalão. Isso aumenta ainda mais a necessidade de investigações independentes, transparentes e sem qualquer tipo de influência externa. (Poder360)
A democracia não se fortalece quando se condena sem provas.
Mas também não se fortalece quando a moralidade pública deixa de ser uma exigência para aqueles que ocupam os cargos mais importantes da nação.
A legalidade é indispensável.
Mas para quem exerce o poder, a moralidade deve ser igualmente inegociável.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Muito obrigado por seu interesse e participação