Título: Entre privilégios e realidade, a fala que desconecta
A declaração da desembargadora Eva do Amaral Coelho, do Tribunal de Justiça do Pará, expõe um abismo que já não se consegue disfarçar.
Em março de 2026, a magistrada recebeu cerca de R$ 91 mil líquidos. No acumulado do primeiro trimestre, o montante alcança aproximadamente R$ 216 mil líquidos. Ainda assim, ao comentar a limitação dos chamados “penduricalhos”, afirmou que a medida levaria juízes a um “regime de escravidão”.
A recente posição do Supremo Tribunal Federal, ao impor limites às verbas indenizatórias, não ataca a magistratura. Ao contrário, resgata um princípio elementar da administração pública, moralidade.
Não se trata de desmerecer a função judicial, que é essencial ao Estado de Direito. Trata-se de reconhecer que há limites. E que esses limites existem, sobretudo, em respeito a quem sustenta a máquina pública, o povo.
Fica a pergunta que não quer calar. Foi apenas um momento infeliz ou a exteriorização de uma mentalidade que há muito se distancia da realidade brasileira?
Porque, para quem vive abaixo da linha da pobreza, falar em perda de privilégios como escravidão não é só inadequado. É ofensivo.
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