Sigilo para uns, vazamentos para outros?
A Polícia Federal decidiu impor sigilo de 100 anos à lista de visitantes de Daniel Vorcaro. Não estamos falando do conteúdo da investigação. Nem de estratégia operacional. Estamos falando de quem entrou para visitar um banqueiro investigado em um caso bilionário.
Curioso.
Quando interessa, áudios vazam. Conversas aparecem. Trechos seletivos surgem rapidamente na imprensa. Mas quando o assunto envolve empresários influentes, políticos e até nomes próximos do poder, o sigilo passa a ser absoluto.
E a pergunta é simples: o que exatamente a divulgação de visitantes atrapalharia na investigação?
CPFs e dados pessoais poderiam ser ocultados. A própria Lei de Acesso permite isso. O que não convence é transformar informação de interesse público em segredo quase eterno.
Não sou adepto de teoria conspiratória. Mas também não compro narrativa institucional pronta.
A Polícia Federal é uma instituição essencial ao Estado. Mas há anos sofre desgaste justamente pela percepção de seletividade, vazamentos direcionados e atuação cada vez mais contaminada pelo ambiente político.
O problema não é investigar. Investigação séria é obrigação do Estado.
O problema é a aparente diferença de tratamento.
Para alguns, exposição máxima.
Para outros, blindagem absoluta.
E quando o cidadão começa a perceber pesos diferentes para situações semelhantes, a credibilidade institucional começa a ruir silenciosamente.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Muito obrigado por seu interesse e participação